ELEIÇÕES MUNICIPAIS EM SANTO ANDRÉ (ABC) EM 1947.
MEMÓRIA DE GREGÓRIO BEZERRA
“Em Santo André, onde se travava uma duríssima pugna eleitoral em disputa da prefeitura e da câmara de vereadores, juntei-me com o camarada Pedro Mota Lima, dinâmico e vibrante jornalista da IMPRENSA POPULAR, e Armando Mazzo, membro do CE e do CC, e candidato à prefeitura municipal. Desfechamos uma vigorosa campanha eleitoral, não só na cidade como nos distritos.
Levantamos inclusive a bandeira da emancipação do distrito de São Caetano, que, depois de Santo André, era o maior centro industrial do Estado.
Armando Mazzo desfrutava grande prestígio entre o povo e levava a vantagem de ter sido operário em uma das empresas daquele grande parque industrial. A luta pela prefeitura foi encarniçada. A batalha da propaganda, com comícios, cartazes, faixas, inscrições murais, alto-falantes, rádio e imprensa, mais as visitas de casa em casa, parecia um dilúvio.
Fazia-se uma colagem de cartazes de madrugada e às 7 h do dia já havia outros cartazes sobre aqueles; ao meio-dia já se sobrepunham outros, diferentes dos primeiros e dos segundos; às 6 h da tarde já eram os primeiros que prevaleciam. Venceria essa luta quem tivesse mais dinheiro para gastar, mais gente para trabalhar. No início da pugna, vencemos em comícios nas portas de fábricas, nos comandos de casa em casa, mas ficávamos aquém na propaganda com faixas, cartazes e alto-falantes e na profusão de boletins distribuídos por toda a parte na cidade e no município.
Na distribuição de boletins, Hugo Borgui levava nítida vantagem, porque os distribuía de avião. Apesar de nossa falta de recursos, da falta de transporte para nos locomovermos durante a batalha eleitoral e de veículos para o transporte de eleitores de suas residências aos postos eleitorais e todas as demais dificuldades, demos conta da nossa grandiosa tarefa.
O comício de encerramento com a presença do camarada Prestes, contribuiu para a definição de muitos eleitores vacilantes. Armando Mazzo, candidato do PCB, obteve mais votos que todos os demais candidatos reunidos; além disso, elegemos 17 vereadores, a maioria da Câmara.
In
Gregório Bezerra
Memórias - segunda parte 1946-1969
RJ: Civilização Brasileira, 1980, pp 51-52
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